Cruz e perdão

26º Dia Missionário

A Cruz, na qual já resplandece o rosto glorioso do Ressuscitado, introduz-nos na plenitude da vida cristã e na perfeição do amor, porque revela a vontade de Deus de partilhar com os homens a sua vida, o seu amor e a sua santidade. A partir deste mistério, a Igreja, recordando-se das palavras do Senhor: “Sede perfeitos, como é perfeito o Vosso Pai celeste” (cf. Mt 5, 48), compreende cada vez melhor que a sua missão não teria sentido se não levasse à plenitude da existência cristã, isto é, à perfeição do amor e da santidade. Com a contemplação da Cruz aprendemos a viver na humildade e no perdão, na paz e na comunhão.

Da Cruz, Jesus indica as condições para poder praticar o perdão. Ao ódio, com que os seus perseguidores o tinham pregado na Cruz, responde rezando por eles. Não só lhes perdoa, mas continua a amá-los, a desejar o seu bem e, por isso, intercede por eles. A sua morte torna-se verdadeira e própria realização do Amor.

Face ao grande mistério da Cruz não podemos deixar de nos prostrar em adoração: “Para transmitir ao homem o rosto do Pai, Jesus não teve apenas de assumir o rosto do homem, mas de tomar inclusivamente o “rosto” do pecado. Aquele que não havia conhecido pecado, Deus o fez pecado por nós para que nos tornássemos n’Ele justiça de Deus (2 Cor 5, 21)”. Do perdão total de Cristo também para os seus perseguidores tem início para todos a nova justiça do Reino de Deus.

Durante a Última Ceia o Redentor dissera aos Apóstolos: “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei, vós também vos deveis amar uns aos outros. É por isto que todos saberão que sois Meus discípulos” (Jo 13, 34-35).

A via-mestra da missão é o diálogo sincero; o diálogo que “não nasce de tácticas ou de interesses”, e nem sequer é fim em si mesmo. O diálogo, aliás, que deixa falar o próximo com estima e compreensão, afirmando os princípios em que se crê e anunciando com amor as verdades mais profundas da fé, que são alegria, esperança e sentido da existência. No fundo, o diálogo é a realização de um impulso espiritual, que “tende à purificação e conversão interior que, se for realizada na docilidade ao Espírito, será espiritualmente frutuosa”.

Este diálogo está profundamente relacionado com a vontade de perdão, porque todo aquele que perdoa abre o seu coração ao próximo e torna-se capaz de amar, de compreender o irmão e de entrar em sintonia com ele. Por outro lado, a prática do perdão, a exemplo de Jesus, desafia e abre os corações, cura as feridas do pecado e da divisão e gera uma verdadeira comunhão.

 (S. João Paulo II, mensagem do ano 2002)

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