Misericordias Domini in aeternum cantabo
Misericordias Domini in aeternum cantabo
27º Dia Missionário
De maneira especial, a chamada à missão adquire uma singular urgência, se olharmos para aquela porção da humanidade que ainda não conhece ou não reconhece Cristo. Sim, queridos Irmãos e Irmãs, a missão ad gentes hoje é mais válida do que nunca. Conservo impresso no coração o rosto da humanidade que pude contemplar durante as minhas peregrinações: é o rosto de Cristo reflectido no dos pobres e dos que sofrem; o rosto de Cristo que brilha em todos os que vivem como «ovelhas sem pastor» (Mc 6, 34). Cada homem e cada mulher têm o pleno direito a que lhes sejam ensinadas «muitas coisas» (ibid.).
Perante a evidência da própria fragilidade e insuficiência, a tentação humana, mesmo do apóstolo, é despedir o povo. Ao contrário, é precisamente naquele momento que, pondo-se a contemplar o rosto do Amado, é preciso que cada um volte a escutar as palavras de Jesus: «Não é preciso que eles vão; dai-lhes vós mesmos de comer» (cf. Mt 14, 16; Mc 6, 37). Desta forma, experimenta-se ao mesmo tempo a debilidade humana e a graça do Senhor. Conscientes da perene fragilidade que nos marca profundamente, sentimos a necessidade de dar graças a Deus por tudo o que Ele realizou para nós e por tudo o que, na sua graça, realizará.

Como deixar de recordar, nesta circunstância, todos os missionários e missionárias, sacerdotes, religiosas e leigos, que fizeram da missão ad gentes e ad vitam a razão da própria existência? Eles, com a sua vida, proclamam «sem fim as maravilhas do Senhor».
Sim, caríssimos Irmãos e Irmãs, não podemos calar aquilo que vimos e ouvimos (cf. Act 4, 20). Vimos a obra do Espírito e a glória de Deus manifestar-se na debilidade (cf. 2 Cor 12; 1 Cor 1). Também hoje, muitos homens e mulheres, com a sua dedicação e com o seu sacrifício, são para nós manifestação eloquente do amor de Deus. Deles recebemos a fé e sentimo-nos estimulados a ser, por nossa vez, anunciadores e testemunhas do Mistério.
A Igreja, portanto, não pode subtrair-se à actividade missionária junto dos povos, e permanece tarefa prioritária da missio ad gentes o anúncio de que é em Cristo, “Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14, 6), que os homens encontram a salvação». É um convite para todos, é um apelo urgente ao qual deve ser dada uma resposta imediata e generosa. É preciso ir! É necessário pôr-se a caminho sem hesitações, como Maria, a Mãe de Jesus; como os pastores que despertaram ao primeiro anúncio do Anjo; como Madalena quando viu o Ressuscitado.
(S. João Paulo II, mensagem do ano 2001)
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