Priestly Anniversary of Fr. Florentino

Nasceu em Bissau, Guiné Bissau, em 1986

Incorporou-se na Congregação dos Missionários do Preciosíssimo Sangue em 2014

Ordenado Sacerdote na paróquia de Santo António de Safim, Guiné Bissau, a 18 de Junho de 2016

What does it mean to be a priest today?

“Por amor, fazei-vos servos uns dos outros” – Gl 5,13.

Foi com este lema que fui ordenado há dez anos, no dia 18 de Junho de 2016

O que significa ser sacerdote hoje? Não vou responder com teologia de livro. Vou responder com a vida que Deus me deu nestes 10 anos: seminário, faculdade, paróquia, liceu, crianças, jovens, escuteiros, centro de saúde etc.

Ser sacerdote hoje é ser servo onde a vida dói mais. A nossa realidade é dura. Todos sabem. Muita pobreza e injustiça que não cabe em estatística, só cabe no rosto da mãe que vem pedir arroz para 5 filhos, dinheiro para pagar propinas. Problemas de saúde que tiram o sono: malária, tensão, falta de medicamentos, problemas de injustiça social. É ali, no meio disso, que estamos todos os dias a ouvir os “gritos de sangue”.

Ser padre hoje não é estar no altar e ir embora. É descer do altar e sentar no chão com o povo. Jesus não perguntou se a realidade era dura antes de lavar os pés aos discípulos. Ele lavou. Ser padre hoje é lavar pés. É fazer-se servo “por amor”, como diz o meu lema. Amor sem desculpa.

A detail of the spirituality of the Most Precious Blood that you appreciate.

Na espiritualidade do Preciosíssimo Sangue, há uma coisa que me parte e cura ao mesmo tempo: Cristo não derramou o Sangue só no altar da cruz. Ele o derramou no chão, no meio do sofrimento do povo, nas histórias de tantas injustiças, no meio deste País em que o povo não tem voz e os seus direitos não contam. Antes mesmo da cruz, Jesus já sangrava de angústia. Isso me ensina: o sacrifício do padre começa antes da missa. Começa na noite de insónia pelo povo, na angústia por sofrimento e a pobreza do povo da Guiné. Por isso S. Gaspar del Bufalo, fundador dos Missionários do Preciosíssimo Sangue, dizia: “O Sangue de Cristo é preço, não é castigo”.

What mission does the Church challenge you to?

Se me perguntam “a que missão a Igreja te desafia hoje?”, eu respondo com 3 palavras: SER PONTE DE ESPERANÇA. E explico:

Para responder esta pergunta peguei no lema da minha ordenação sacerdotal, na realidade do povo da Guiné Bissau. A Igreja me chama a ser aquele padre que leva a esperança no meio de sofrimento, estar nos bairros, aldeias (Tabancas). Como diz Rm 8,24: “Na esperança fomos salvos”. A Igreja desafia-me a levar essa esperança da Bíblia para mesa de quem não tem pão. A Igreja desafia-me a ser PONTE de esperança para a juventude sem futuro. Vejo os jovens todos os dias: escuteiros, alunos do liceu, os que já terminaram 12º ano. Muitos dizem: “padre, a Guiné não tem futuro”. A missão que a Igreja me dá é gritar mais alto: Deus não desistiu da Guiné-Bissau. Estar mais perto da dor que não tem nome, do doente sem medicamento, da mãe solteira, da criança ausente da escola. A Igreja me desafia a viver o meu lema até ao fim: “Por amor, fazei-vos servos uns dos outros” Gl 5,13. Que o meu sacerdócio seja ponte: ponte entre Cristo e o povo, ponte entre o sofrimento de hoje e a esperança de amanhã.”

P. Florentino Imbali Encanha C. PP. S

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