S. Gaspar em Vila Viçosa

A Comunidade dos Missionários do Preciosíssimo Sangue de Vila Viçosa, formada pelos P. António Panea e Luís Filipe celebraram a Solenidade de S. Gaspar del Búfalo, com eucaristia concelebrada por vários sacerdotes, diácono, acólitos, e com a presença de muitas pessoas da comunidade cristã. Após a Mesa Eucarística passou-se à mesa do convívio e da comunhão fraterna.

Fica aqui transcrita a homília feita pelo presidente da celebração Pe. António Panea:

«Desde criança, quer pelas suas próprias descobertas, ou porque Deus age no coração das pessoas, ou simplesmente por um capricho infantil, Gaspar sentiu-se chamado à missão. Como piada, fugiu com uma amiga com intenção de ir para a Turquia evangelizar.

Mas a sua vocação missionária realizou-se no seu próprio país, nas regiões italianas, na sua própria cidade (Roma). Esta dimensão missionária, ou esta forma de entender e perceber a missão (no seu próprio país e não tanto para fora do país), tomou forma em vários momentos importantes da sua vida. Três experiências missionárias que forjariam a sua identidade enquanto missionário:

– Um jovem cheio de esperança e inquietação: aos 20 anos foi escolhido para diretor do Hospício de Santa Galla, embora tenha aí iniciado o seu trabalho apostólico aos 18 anos, numa altura em que Roma estava devastada. E como o conseguiu? Convidando outros jovens a ajudá-lo de forma altruísta. Desenvolveu encontros com camponeses no Foro Imperial de Roma, fazendo algo pelos outros a partir da sua perspetiva cristã… Catequese, oração, exercícios espirituais…

– A experiência da prisão e do exílio: a sua experiência de prisão pela fidelidade ao Evangelho marcaria profundamente a sua vida e a Congregação. Recusou-se a jurar lealdade a Napoleão e foi exilado e preso em Bolonha. É célebre a sua afirmação “Não posso, não devo, não quero”… tinha cerca de 23 anos. Esta experiência marcaria a sua vida fisicamente, deixando-o com a saúde debilitada. Mas espiritualmente a experiência de perseguição ajudá-lo-ia na missão, especialmente nos esforços para evangelizar os bandidos (brigantis) e as cidades aterrorizadas pela violência. Não fundou as primeiras casas de missão em lugares agradáveis e pacíficos de Itália, mas sim foi para lugares onde mais ninguém queria ir: Acuto, Sonnino, Vallecorsa, cidades que viviam sob o terror dos bandidos ou dos guardas que os perseguiam. Para lá foi e enviou os primeiros missionários, apesar das calúnias que recebeu de todos, incluindo de um sector da Igreja.

– A leitura de um livro, o crucifixo: Cristo crucificado seria o seu livro principal; não era uma mera decoração, mas o Jesus vivo… Tanto que, mesmo sofrendo de pneumonia meses antes da sua morte, saiu às ruas de Roma para cuidar dos doentes e moribundos de cólera. Meses depois (dezembro), morreu aos 51 anos.

Dois séculos mais tarde, o Papa S. João Paulo II exortou os filhos de S. Gaspar a serem igualmente intrépidos nas suas decisões e ações, a irem para onde outros não podem ou não querem ir, e a empreenderem missões que parecem ter poucas hipóteses de sucesso. “Peço-vos que continueis os vossos esforços na construção da civilização da vida, empenhando-vos na proteção de toda a vida humana, desde a do nascituro até a os idosos e os doentes, e promovendo a dignidade de cada pessoa humana, especialmente dos mais fracos e daqueles privados do seu direito de participar dos recursos da terra. Exorto-vos a realizar uma missão de reconciliação, trabalhando para reconstruir as sociedades feridas pelos conflitos civis, unindo, mesmo as vítimas e os perpetradores da violência, num espírito de perdão, para que possam saber que ‘o sangue de Cristo é, de facto, a maior razão de esperança, de facto, é o fundamento da certeza absoluta de que, segundo o plano divino, a vida triunfará’”.

“O futuro rosto dos Missionários do Preciosíssimo Sangue” deve ser o rosto do Senhor crucificado, que derramou o seu sangue pela vida do mundo. Certamente, é um rosto de dor, porque “para restituir à humanidade o rosto do Pai, Jesus teve de assumir não só o rosto da humanidade, mas também o rosto do pecado“.

O Papa S. João Paulo II dir-nos-ia em setembro de 2001: “Junto com São Gaspar e convosco, ajoelho-me para adorar esta fonte infinitamente preciosa que brotou do lado ferido de Cristo“. Confiando que o pedido do Papa Pio VI era uma ordem de Cristo, o vosso fundador, São Gaspar, não hesitou em obedecer, embora tenha recebido críticas por ser demasiado inovador.»

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