Sangue de Cristo na coroação de espinhos

A flagelação era um castigo legal, aplicado aos condenados, como preparação para a morte; mas a coroação de espinhos foi uma zombaria dos soldados porque Ele havia dito que era o “Rei dos judeus”. Alguns dizem que não era uma coroa, mas um capacete que cobria toda a cabeça.

Na noite anterior, segundo o evangelho de São Mateus, na casa de Caifás, perguntaram a Jesus se era o Messias, e Ele confirmou, provocando a ira do Sumos Sacerdote, que O acusou de blasfêmia por dizer que era Filho de Deus, e O declarou condenado à morte.

Imagem: rosto de Cristo na coroação de espinhos (Museu de Arte Sacra de Vila Viçosa)

Na coroação de espinhos, Jesus aparece como um “coitadinho”, “um infeliz que não consegue se defender do desprezo e das risadas dos soldados: ‘adivinha quem te bateu’”.

Na noite da coroação de espinhos, Jesus sente a solidão e o abandono do Pai e dos seus, que depois expressará na cruz, porque está a ser alvo de gozo e risadas para os outros. 

O profeta Isaías havia dito sobre o Servo do Yahvé:

“Ofereci as costas aos que me batiam… não virei as costas diante dos que me insultavam e batiam… sofreu o castigo para o nosso bem… Quando era maltratado, não abriu a boca como cordeiro levado ao matadouro… ninguém se preocupou com a sua morte…” 

O Servo do Yahvé também dá sentido e ilumina algumas expressões nos salmos: “sou um verme, não um homem, opróbrio dos homens e desprezo do povo, todos os que me veem riem-se de mim e meneiam a cabeça… que Deus o livre se de verdade o ama”

A atitude silenciosa de Jesus indica-nos que Deus é mansidão, e tem muita paciência connosco. 

Pilatos não encontra motivo para condenar Jesus e tenta dizer ao povo que seu reinado não é perigoso para eles, por isso o apresenta em público desfigurado com a coroa de espinhos, um ceptro de cana e um manto de cor púrpura: “Eis o homem”. Apesar de tudo, o povo, estimulado pelos seus líderes, grita: “Crucifiquem-no, que seja condenado à morte por blasfêmia e por se achar Filho de Deus”. Como Jesus fica em silêncio e vendo que não consegue convencer o povo, Pilatos diz: “Aqui está o vosso rei” e eles gritavam “Crucifiquem-no”

Compromissos para o dia a dia

De tudo o que foi dito, o que nos pode ajudar a viver a espiritualidade do Preciosíssimo Sangue? Como podemos levar este acontecimento para a nossa vida?

1- Devemos ter, a cada dia, mais confiança em Deus. Apesar dos nossos pecados, Ele ama-nos e tem paciência connosco.

2- Quando vivemos e dizemos a verdade, como Jesus, não nos devemos importar com as zombarias ou com as críticas dos outros.

3- Precisamos de tentar descobrir a presença de Deus em todas as pessoas, especialmente nos pobres, nos marginalizados, nos perseguidos e condenados por causa da verdade.

4- Se alguém nos faz mal, e mesmo que a sua aparência seja repugnante, neles está Deus e, se os olharmos assim, tratá-los-emos de outra forma.

5- Não devemos escandalizar-nos com ninguém. Cada pessoa, como nós, sempre age pelos seu motivos e razões, e não podemos medir a todos com a mesma medida.

6- Não devemos crucificar ninguém com as nossas palavras ou atitudes, para os fazer desaparecer porque nos atrapalha, ou são incómodos, porque chegaram aonde eu não consegui chegar ou porque têm o que eu não tenho.

(P Paulino CPPS)

Deixe o seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

últimos artigos

Ordenação sacerdotal do jovem Gaspar

31 de Julho

30 de Julho

29 de Julho

Quer ajudar?

Contacte-nos, deixe sugestões, comentários, ajuda.. o que entender, estamos aqui..

Talk to an expert