O Sangue de Cristo no Novo Testamento
O Sangue de Cristo no Novo Testamento
Quatro aspetos do Sangue de Cristo retirados dos textos do Novo Testamento, sem incluir os evangelhos que serão tratados no próximo escrito.
1-O Sangue de Cristo é fonte de vida
•Na carta aos Romanos, o sangue de Cristo apresenta-se como a força de vida que nos salvará no fim dos tempos, tal como o sangue do cordeiro pascal salvou da morte os israelitas.
•No Apocalipse, desenvolve-se o mesmo tema quando fala dos mártires: “venceram pelo sangue do cordeiro”.
2-O Sangue de Cristo liberta-nos da escravidão
No Novo Testamento, muitos textos atribuem ao Sangue de Cristo a libertação da escravidão, referindo-se à libertação do Egito:
•Na carta de São Pedro, diz-se que esta libertação não foi comprada com prata ou ouro, mas “com o Precioso Sangue de Cristo”, querendo dizer que entregou a sua própria vida para resgatar, não muitos, mas todos.
•Em Efésios, convida-se a louvar a Deus, pois pelo Sangue de Cristo alcançámos a libertação do mal e da morte.
•No Apocalipse, além do conceito de libertação, fala-se de que Deus, com o Sangue de Cristo, comprou homens de toda a tribo, língua ou nação, porque não se limita a alguns, mas estende-se a todo o mundo; uma libertação que não é política, mas que nos resgatou de uma escravidão do mal: libertou-nos dos nossos pecados.
•Na carta aos Romanos, o Sangue de Cristo “expiou” os nossos pecados e tornou-se a nossa justificação, isto é, éramos pecadores e, pelo Sangue de Cristo, tornámo-nos justos diante de Deus; isto, a carta aos Hebreus chama “justificação”, ou seja, pelo Sangue de Cristo o povo foi santificado.
•Na primeira carta de São João, o Sangue de Cristo, ao purificar-nos dos nossos pecados, torna-se mediador do povo.
3-O Sangue de Cristo, instrumento de perdão
Outro aspeto do Sangue de Cristo é que Jesus, ao derramá-lo, reconciliou-nos com Deus, por isso é o sangue da nova aliança:
•Em Romanos, o Sangue de Cristo alcançou-nos a reconciliação com Deus.
•Em Efésios, Cristo aboliu a inimizade para nos reconciliar uns com os outros através da cruz.
•Em Colossenses, Jesus reconciliou todas as coisas, pacificando pelo seu sangue na cruz o céu e a terra. O sangue de um condenado à morte transformou-se em fonte de paz e reconciliação para todo o mundo; esta é a maior expressão do amor.
4-O Sangue de Cristo é o sangue da nova aliança
Na última ceia, Jesus disse que o seu sangue era o sangue da nova aliança, por isso tem caráter de sacrifício, tal como o sangue dos animais que eram sacrificados no Antigo Testamento para entrar em contacto com Deus. A diferença entre o sangue dos animais do A.T. e o de Cristo do N.T. é que o sumo sacerdote usava o sangue dos animais muitas vezes; Cristo ofereceu-se a si mesmo em obediência e docilidade à vontade do Pai para alcançar a solidariedade entre nós, e fê-lo uma só vez. Por isso, o Sangue de Cristo é o sinal da aliança entre Deus e o povo e aproxima-nos de Deus, purificando as nossas consciências e santificando-nos, coisa que o sangue dos animais do A.T. não pode fazer.

Desafios
A devoção ao Sangue de Cristo pede-nos:
1-Ser solidários com os outros, mas não apenas com cartazes e manifestações (que também), mas temos de sofrer com os que sofrem e alegrar-nos com os que se alegram, estar junto deles e colocar-nos no seu lugar.
2-O Sangue de Cristo é a expressão da maior entrega e amor, porque se deu por inteiro, sem esperar nada em troca, sem reservar nada para si, nem uma única gota de sangue (de vida); por isso pede-nos que sejamos generosos e não apenas dar aos outros, mas dar-nos totalmente a quem precisar de nós e sem esperar recompensa nem aplauso dos outros.
3-Não podemos escravizar ninguém, nem com as nossas palavras nem com a nossa visão da realidade; temos de deixar os outros serem eles mesmos e não tentar influenciá-los para que falem e ajam “à nossa imagem e semelhança”, anulando a sua personalidade, os seus sentimentos e a sua forma de pensar.
4-Ser instrumentos de perdão, pensando que todos somos “pecadores” e que podemos enganar-nos, como eles, assim evitaremos a vingança e a retaliação por algo que nos fizeram.
5-Ser instrumentos de reconciliação, procurando o que nos une (que é muito) e ignorando o que pode separar-nos (que são poucas coisas e às vezes insignificantes, mas às quais damos uma importância capital, como se disso dependesse a nossa vida). Só com a reconciliação pode haver unidade e paz nas nossas Comunidades e na Família.
(P Paulino, CPPS)
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