A força do Espírito Santo

30º Dia Missionário

«Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis Minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria, e até aos confins do mundo» (Act 1, 8).

O Espírito está presente na Igreja e orienta-a na missão aos povos. É consolador pensar que não nós, mas Ele mesmo é o protagonista da missão. Isto dá serenidade, alegria, esperança e coragem. Não são os resultados que devem preocupar o missionário, porque esses estão nas mãos de Deus: ele deve empenhar-se com todos os seus recursos, deixando que o Senhor actue em profundidade. O Espírito, além disso, alarga a perspectiva da missão eclesial aos confins do mundo inteiro. Cada ano, a isto nos chama o Dia Missionário Mundial, ressaltando a exigência de jamais circunscrever os horizontes da evangelização, mas de os ter sempre abertos às dimensões da humanidade inteira.

Até mesmo o facto de na Igreja, nascida da cruz de Cristo, ainda hoje haver perseguição e martírio, torna-se um forte sinal de esperança para a missão.

A missão renova a Igreja, revigora a sua fé e identidade, dá-lhe novo entusiasmo e novas motivações».

Convido, portanto, a reafirmar, contra todo o pessimismo, a fé na acção do Espírito, que chama todos os crentes à santidade e ao empenho missionário. Acabámos de celebrar o 175° aniversário da Obra da Propagação da Fé, fundada em Lião em 1822 por uma jovem leiga, Paulina Jaricot, de quem está em curso a causa de canonização. Com feliz intuição, esta iniciativa favoreceu na Igreja o crescimento de alguns valores fundamentais, hoje difundidos pelas Pontifícias Obras Missionárias: o valor da própria missão, capaz de regenerar na Igreja a vitalidade da fé, que se incrementa quando há o empenho em comunicá-la aos outros: «É dando a fé que ela se fortalece»; o valor da universalidade do empenho missionário, uma vez que todos, sem excepção, são chamados a colaborar com generosidade na missão da Igreja; a oração, a oferta dos próprios sofrimentos e o testemunho de vida como elementos primários para a missão, ao alcance de todos os filhos e filhas de Deus.

Recordo, por fim, o valor da vocação missionária «ad vitam»: se a Igreja inteira é missionária em virtude da sua própria natureza, os missionários e as missionárias «ad vitam» são o seu paradigma.

(S. João Paulo II, mensagem do ano 1998)

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