O valor do sangue no Antigo Testamento 

O tema do sangue no Antigo Testamento aparece em muitas passagens. 

  1. O respeito pelo sangue 

Há um respeito profundo pelo sangue, inclusive o dos animais. O sangue é “sagrado” e está estreitamente relacionado com Deus porque é a “alma de todo o ser vivente”, criado por Deus. Diz o Génesis (9,3): “Não comerás a carne com a sua alma (com o seu sangue). 

Os antigos aperceberam-se de que quem perdia o sangue, perdia a vida e chegaram à conclusão de que o sangue é o princípio vital; por isso, o sangue pertencia a Deus, porque Ele é o criador de todo o ser vivente.

2. O sangue dos animais é sagrado 

Por ter um carácter sagrado, o sangue não podia ser usado na alimentação, mas sim no culto para oferecer sacrifícios. 

Noé proibiu aos seus filhos comer sangue, mas esta lei é mais antiga, vem de Moisés para o povo hebreu: “Se alguém da casa de Israel ou estrangeiro que vive com eles comer qualquer tipo de sangue, excluí-lo-ei do seu povo” (Levítico 17,10). E o Deuteronómio (12, 23) afirma: “Tem apenas o cuidado de não comer o sangue, porque o sangue é a vida”. 

Se estava totalmente proibido na alimentação, no entanto, no uso ritual era obrigatório utilizá-lo: 

  • A primeira vez que aparece o rito do sangue é quando se pediu ao povo que aspergisse as ombreiras das suas portas com o sangue do cordeiro pascal para serem libertados da passagem da morte do exterminador; portanto, exprimia a vida contra a morte: Yahvé passará adiante e não permitirá que o exterminador entre nas suas casas para os ferir (Êxodo 12, 7-22) 
  • No culto a Deus, os sacerdotes, nos sacrifícios, a primeira coisa que deviam fazer era oferecer e aspergir uma parte do sangue dos sacrifícios no altar e a outra sobre o povo para indicar a comunhão que existia entre Deus e o seu povo e a consagração deste a Deus: “esta é o sangue da aliança” (Êxodo 24,8) 
  • Oferecer o sangue a Deus não é um presente do povo a Deus, mas um dom de Deus ao povo, porque o sangue (a vida) pertence a Deus, que o dá ao povo para que seja purificado das suas infidelidades, já que eles não podiam apagar os seus pecados. 
  • Na consagração de Aarão e dos seus filhos, aplica-se sangue aos seus corpos e, do mesmo modo, aspergiam-se com sangue as vestes e as pessoas para as “consagrar”. 

3. O valor do sangue humano

O sangue humano é considerado superior ao dos animais porque a mulher e o homem foram criados à imagem e semelhança de Deus (Génesis 1, 26-27); por isso, não pode ser usado para nenhum fim, nem sequer para o culto. 

O próprio Deus torna-se guardião deste sangue para que não seja derramado. Em (Génesis 9,5): “pedirei contas do vosso sangue tanto aos animais como ao homem; e ao homem pedirei contas da vida dos seus semelhantes”. No Génesis 4, 10, Deus diz a Caim: “o sangue do teu irmão clama a mim desde a terra”. 

Derramar o sangue de uma pessoa é um crime horrendo, especialmente o dos inocentes, que, segundo o Antigo Testamento, devia ser severamente castigado por Deus, porque o sangue é a vida e esta pertence apenas a Deus. 

Compromissos 

  1. Respeitar a vida em todas as suas dimensões, desde a conceção até à morte, e não apenas com o crime; também se pode matar os outros com críticas, falsos testemunhos e mentiras. 
  2. Não podemos fazer com a nossa vida o que quisermos, como costumamos dizer, porque a vida é de Deus e temos de a respeitar. 
  3. A nossa vida tem de estar aspergida com o sangue de Cristo para viver como Cristo viveu, fazendo o bem a todos, mas especialmente aos pobres e necessitados. 
  4. Temos de lutar contra a cultura da morte (egoísmos, soberba, invejas, indiferenças, injustiças…) para que reine a cultura da vida (solidariedade, diálogo, justiça, paz e amor). 
  5. Ter devoção ao sangue de Cristo também significa consagrar-se totalmente a Deus, ser sacerdotes que oferecem a Deus toda a sua vida para estar disponível para ajudar os outros e não guardá-lo para si, por medo de a perder ou por comodidade e preguiça. 

Escutar o “grito do sangue” dos que sofrem e dos que clamam justiça para acompanhar na dor e para que se dê a cada um o que lhe pertence, porque Deus lho concedeu: a dignidade de pessoa e de filho de Deus. 

(P. Paulino, CPPS)

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