Sangue de Cristo nos Evangelhos

As palavras de Jesus na última ceia “Tomai e bebei, este é o meu Sangue da Nova Aliança, derramado em favor de muitos” contêm uma rica catequese sobre o sangue. 

1-Durante a ceia, Jesus disse: “um dos doze vai trair-me e revela que por esta traição se vai derramar o seu sangue.

2-Também explica como se vai levar a cabo este derramamento do seu sangue: será preso, comparecerá perante os tribunais do seu povo e depois será detido pelas autoridades romanas: “é réu de morte”, “é condenado à morte”, “será executado”. É o sangue de um criminoso que deve ser castigado. 

3-O traidor, uma vez que O entregou, confessa: “pequei, entregando sangue inocente”, e Pilatos, ao decidir que fosse condenado à morte, diz: “sou inocente do sangue deste homem, não encontrei nele culpa alguma”, ao que o povo responde: “da sua morte fazemo-nos responsáveis nós e os nossos filhos”. 

4-Na última ceia não aparecem os conceitos de crime e castigo, mas na boca de Jesus adquirem duas matizes positivos: 

• É um sangue que se derrama por todos e não por alguns; 

• E é o sangue que estabelece o pacto da Nova Aliança entre Deus e o povo. 

Estes dois conceitos transformam totalmente a razão de derramar o sangue, que não se leva a cabo por um delito criminal mas por “generosidade”, porque por ele fomos reconciliados com Deus. Portanto, o derramamento do sangue de Jesus é o maior acto de amor, já que por ele entramos em comunhão com Deus e com os outros e, se tivesse sido como castigo de um criminoso, então não nos teria conduzido à amizade com Deus 

5-Quando Jesus toma o cálice e diz “tomai e bebei”, o evangelho de São Mateus acrescenta: “para o perdão dos pecados” Jesus oferece o seu sangue por amor, para que os nossos pecados sejam apagados e possamos reconciliar-nos com Deus. 

A Antiga Aliança rompeu-se com a infidelidade do povo e era preciso encontrar a maneira de a reparar, porque o povo estava separado de Deus, e foi precisamente o sangue de Jesus que a restabeleceu. 

6-O ato de “dar a beber o seu sangue” por parte de Jesus Cristo implica um gesto de valentia e audácia. No Antigo Testamento estava proibido beber o sangue dos animais (porque nele estava a vida e a vida era só de Deus e ninguém pode tomar a vida de ninguém); era imaginável que os seus se admirassem quando ouviram Jesus a oferecer-lhes a beber o seu sangue, “a sua vida”. Porquê o fez? Como Ele próprio diz: “quem bebe o meu sangue tem a vida eterna”. Não queria que a relação com Deus fosse algo exterior, e queria que os seus íntimos vivessem com Ele e Ele com eles. 

7-Depois de Jesus ter morrido, um soldado trespassou-lhe o lado, e “saiu sangue e água”. A água é símbolo do Espírito Santo, e com isso o Pai queria demonstrar que aprovava o ato de amor que o seu Filho estava a realizar por toda a humanidade, além de indicar que o sangue de Jesus comunica a quem o recebe o Espírito de Deus. 

Compromissos para a vida:

Não costumamos comungar com o sangue de Cristo; no entanto, o compromisso que assumimos ao comungar o corpo de Cristo seria mais forte se fosse também com o Sangue, e ajudar-nos-ia a viver melhor a nossa vida de seguidores do Senhor. 

Porque comungar o sangue de Cristo pede-nos: 

• Não trair ninguém para que o seu sangue (a sua vida) não sofra. Quando nos sentimos traídos, sofremos, dói-nos a traição e passamos mal; pois se eu não quero sofrer uma traição, também não devo trair ninguém.

• Quando queremos condenar alguém e não assumir as consequências, comentamo-lo com os outros para que sejam eles a condenar e não sejamos nós os culpados da condenação. 

• Quando fazemos algum mal, não devemos ser soberbos e devemos aceitar a nossa culpa e, além disso, reconhecê-la pedindo perdão, sem nos instalarmos na “teimosia” de pretender que os outros é que fazem mal as coisas, e não eu. 

• Temos de ser generosos com os outros e não ser “avarentos”, “dando-nos” aos outros de maneira incondicional e sem esperar nada em troca. 

• Quando se quebram as relações de amizade ou de família, não esperemos que os outros façam algo para as recompor, mas que, por um ato de amor, sejamos nós a dar o primeiro passo; isso não nos diminui, enaltece-nos! 

• Quando comungamos, identificamo-nos com Jesus Cristo e tentamos viver o seu estilo de vida e assumir o seu destino; mas é que os outros também comungam com o mesmo Cristo e eles também ficam identificados com Ele, por isso o compromisso de comungar não é apenas com Jesus, é também com todos os que comungam com Ele.

(P Paulino, CPPS)

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